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12.11.09

Eu, pecador, me confesso

A ideia deste post é muito simples - suportar a afirmação:

"O futebol é a religião do final do século XX (e ou muito me engano ou continuará a ser durante o século XXI)".

Surgiu-me esta ideia (e consequentemente o partilhá-la neste post) estava eu passeando por um país longíquo que não interessa para o caso revelar, mas mais precisamente numa igreja. Uma das várias que vi nesse passeio. E ao ver as imagens de santos e anjos e afins fui atingido como que por um relâmpago. Vejamos então as semelhanças:

1. Missa/jogo uma vez por semana, normalmente ao domingo;
2. Adoração dos santos/jogadores frequente;
3. Consideração de feitos/jogadas como verdadeiros milagres;
4. Globalização da religião/futebol. Em todo o cantinho do mundo, por mais escondido que seja, há um campo/igreja;
5. União das pessoas à volta da sua religião/clube, ao mesmo tempo que têm prazer em gozar com os de diferente religião/clube;
6. Rixas constantes entre pessoas de diferentes clubes/religião;
7. Muito dinheiro envolvido no negócio da religião/futebol;
8. Nível muito elevado de dedicação de pessoas ao futebol/religião. A quantidade de tempo investido por jornalistas, empresários, treinadores, etc é em tudo semelhante ao tempo que as beatas, freiras, padres dedicam à religião. A sua vida...

Tal como digo no título deste post, Eu, pecador, me confesso. Porque mesmo estando a ser reduzida aos poucos, a importância que dou ao futebol deveria ser reduzida à mesma que dou à religião - quase zero...

17.8.09

Uma Liga Melhor

Há uns anos, começámos a ouvir falar em reuniões entre uma elite de clubes europeus tendo em vista o estudo (ou apenas a ameaça) da criação de uma liga privada europeia que viesse instalar uma espécie de NBA do futebol do velho continente. A assustada UEFA e os seus variados amigos mediáticos foram rápidos a assinalar os perigos à integridade da modalidade, e a grasnar as (supostas) ganância e má intenção da ideia em discussão. Nos últimos tempos, os rumores têm andado tímidos embora, provavelmente, a hipótese esteja longe de ser esquecida pelos intervenientes.

Num primeiro momento, senti-me impelido a temer a mudança porque sempre achei que o futebol é um desporto muito especial cujo sucesso e magia sobrevivem num equilibrio muito delicado - o facto de a autoridade máxima da arbitragem internacional ser uma espécie de concelho de anciãos (britânicos), é um indício que existe muito quem concorde que as mudanças na modalidade têm de ser lentas e quase cair de maduras, para não ofender os deuses da bola. Afinal, o que seria do campeonato nacional?

No entando, e aos poucos, fui reparando em sinais que mostram que, de repende ou gradualmente, deveremos avançar para uma mudança estrutural nas competições de clubes europeus. A saber os principais:

- Os campeonatos nacionais são cada vez menos "nacionais" e cada vez mais cosmopolitas (raros serão os casos em que os jogadores autócnes sejam em número superior aos estrangeiros)
- A presença na Liga dos Campeões e na Liga Europa parece ser a principal finalidade dos melhores clubes durante a participação nas competições nacionais;
- Em todos os campeonatos vão surgindo anualmente vários casos de clubes que não têm sustentabilidade económica para disputar a principal liga nacional;
- O calendário futebolistico está sobrecarregado, devido sobretudo à ineficiência de várias competições no que toca à geração de receitas.

Em Portugal, creio que qualquer um destes sintomas é ainda mais grave do que na média. Por isso mesmo, considero que devemos estar na linha da frente da reflexão quanto ao novo caminho das competições de futebol, a começar por levantar a hipótese de uma Liga Ibérica. Isso mesmo. Compreendo que a primeira reacção de muitos seja de vómito, até a minha é, mas convido-os a deixarem o sabor a bilis sair da boca e dedicar pelo menos alguns minutos a pensar no assunto.

Por muito que tenha um temperamento romântico no que toca ao futebol, acho que preferia ver semanalmente jogos do Benfica com Ibrahimovic, Villa, Simão, Rossi, Hulk, Liedson, etc, do que com Devic, Sougou, Élvis e Alonzo.
No estado actual de coisas, acabamos por ter um campeonato português, sim, mas com poucos portugueses, fraca qualidade, e em que a maior competição gira em torno da sobrevivência financeira diária e não do real desempenho desportivo. A verdade é que estamos todos a financiar um modelo de entretenimento miserável (mesmo quem não lhe liga nada) e que nunca vai conseguir sustentação nem governação.

Numa penada: quando quero ver o Benfica jogar escolho a Liga Sagres, quando quero ver futebol tenho que sintonizar outros campeonatos e competições europeias.

As ligas desportivas privadas são um pouco chauvinistas, é verdade, mas funcionam. E têm sempre em competição os melhores, e não trocam jogadores por dinheiro como mercadorias. E as nacionais, se são para satisfazer orgulhos de bairro, basta funcionarem a nível semi-profissional.

É darwinismo desportivo. Cruel? Talvez. Saudável? Também.

Liga Ibérica de Futebol? Eu digo sim - mesmo com um aperto no peito.

(Gostava de ter escrito e publicado este post antes do arranque do campeonato, para ter a certeza que o seu conteúdo não será confundido com algum tipo de apreciação à primeira jornada)

14.8.09

Opinião Editorial

Começa hoje mais um campeonato nacional de futebol e anda tudo cheio de esperança, com a estratégia toda pensada, com saudades das eternas discussões de café para no final a culpa ser sempre do árbitro, das segundas feiras em que se pode trocar umas bocas com os adeptos dos clubes adversários, das contratações, dos despedimentos, das jovens promessas. Para mim será um ano em que estarei mais distante do futebol nacional, e não me interpretem mal, não tem a ver com o facto de o clube com o qual simpatizo ter tido um difícil início de época. Tem apenas a haver com o facto de cada vez mais sentir que tudo o que rodeia o futebol está podre, não há princípios, é cada qual a ver se é mais esperto que o próximo, e tudo, tudo, tendo como principal motivação o dinheiro. E a quantidade de dinheiro que envolve o futebol deixa-me cada vez mais amargurado e desconfiado do futuro da raça humana. E estas notícias sobre a possível candidatura ibérica à organização do Campeonato do Mundo 2018 diz tudo sobre a direcção que as coisas estão a tomar e quão errada é.

10.8.09

Os Guarda-Redes Heróis

Quim, o herói do jogo contra o Milan faz lembrar outros heróis de outrora. Ricardo e Goigotchea. Ambos óptimos a defender penalties, ambos fracos no jogo jogado. Supondo que uma equipa grande não tem muito mais que 5, 6 penalties por época e, é raro ir a desempate por grandes penalidades, porquê a insistência dos meios de comunicação em fazer destes senhores os maiores? Tudo bem, foram decisivos em momentos importantes. No entanto, não são os melhores para o que se quer numa temporada normal. É como ter um jogador que marca muito bem livres ou penálties. No reto do jogo arrasta-se.
Parem com as hipocrisias e escrevam: "Quim herói hoje, vulgar amanhã"

23.7.09

Velhos e Xólos

Há cada vez mais uma tendência, sobretudo na plebe portuguesa de catalogar os jogadores a partir de uma certa idade, anteriormente na ordem dos 28 anos, agora já mais nos 26, de velhos e xulos. Para muitos adeptos, um jogador como o Saviola, é um acabado e apenas vem para xular o benfica. Aimar já está em fim de carreira. O Farías é já um veterano. O que dizer, então, de jogadores com 32 ou mesmo 34 anos. Esses sim, já a mais no futebol português. É completamente imoral e ridículo esta nova moda nacional de catalogar os jogadores desta forma. Campeonatos a sério como o Inglês, Italiano e Espanhol, os jogadores a partir de uma certa idade são ainda mais respeitados e continuam a ser parte importante, tanto no onze titular, como de referência de balneário e equipa. Se o Saviola tivesse ido para o Villareal ou assim, estaria cá tudo em Portugal a reclamar que o Benfica não tinha grandeza para buscar um jogador como ele, como veio, tenta-se mandar abaixo.
Piores exemplos tem tido o FCP. Portou-se muito mal com jogadores como Fernando Gomes, Domingos, Aloísio, Vitor Baia, Jorge Costa, Paulinho Santos, etc. Esta fantochada com o Pedro Emanuel, obrigando-o a retirar-se e preparar uma festa surpresa a mim não me engana. O FCP, e, sobretudo o seu presidente, não quer que ninguém lhe faça sombra como imagem do clube. Onde está a festa a dois dos maiores símbolos de sempre do FCP? Baia e J.Costa. Este último por duas vezes saiu obrigado do FCP.
O respeito por quem tudo dá a um clube não deve ser a sua obrigatória reforma. Van der Sar ainda joga ao mais alto nível, porque não pode o Baía continuar a ser a imagem do Porto? Será Helton melhor? Representa a imagem do FCP? Não creio...