
Há pelo menos uma década que Portugal não se via tão necessitado do aparecimento de novos talentos para preencher a selecção. Na posição de ponta-de-lança, a coisa parece estar crítica.
O último titular indiscutivel foi um jogador que nunca se afirmou na nossa liga e ganhou as suas estrelas em Espanha e França. Curiosamente, foi em França que Queirós depositou, há cerca de um ano, a esperança em ter encontrado solução.
Falo de Kevin Gameiro, avançado do Lorient, filho de portugueses mas nascido perto de Paris. Quando, há onze meses, este jogador recusou um convite para estágio por se sentir francês, ninguém terá prestado muita atenção. Agora, Kevin é o melhor marcador da Ligue 1, precisamente numa altura em que nos daria um jeitaço um goleador.
Se procurarem os videos do rapaz no youtube, não me parece que vão ficar fascinados mas que o rapaz marca, marca (qualquer semelhança aqui com o Pauleta é puramente coincidência ;) ).
Infelizmente, o Kevin não ficou seduzido pelo nosso desespero e adoptou naturalmente a única pátria que conhece.
Por cá, Liedson descobriu aos 30 a doçura de ser português. Pessoalmente, faz-me muita espécie vê-lo com a camisola da selecção. Objectivamente, não há melhor ponta-de-lança com a nacionalidade portuguesa.
A história dirá se subitamente o Postiga descobre o caminho do golo (ainda vai a tempo ?), se algum entre os Orlando Sá/Nélson Oliveira/Rabiola/Tiago Cintra se destaca, ou se aparece algum novo naturalizado para concretizar aquilo que Ronaldo, Nani, pelo menos, ainda vão criar durante uns anos.