
Como irei eu explicar ao meu amigo Francisco, que escolheu a vida do eremita em 1997 e desde então só nos temos correspondido por postais, os dele com paisagens de lagos, os meus com gajas nuas de mamilos censurados por uns queijos da Serra, cujos versos - de ambos - não têm mais do que considerações acerca de como o Sporting ou o Benfica estão a portar-se num respectivo período de tempo, e que nos tempos mais recentes, da minha parte, escasseavam de espaço para que coubessem os meus elogios às prestações desportivas do
seu clube, explicando-lhe que poucas vezes terei visto equipas a jogar assim e ele então terá murmurado no cartão que sendo assim até parecia inevitável o Jesus ganhar a Liga Europa ao que retorqui que era muito natural que tal acontecesse, mas como lhe irei explicar que o
Benfas perdeu
4-1 contra o
Liverpool, 6º classificado da Premier (a caminho do 7º lugar, caso o Aston Villa empate ou ganhe o jogo que tem a menos)?
Bom, em primeiro lugar dir-lhe-ei que acima de tudo foi um Jesus a cair na esparrela do Benitez (o que é fácil dizer quando se perde). Parece-me que o treinador do Benfica terá lido todos os posts do
Lateral Esquerdo, e embriagado da sua própria imagem, qual Narciso, decidiu que o queria mesmo era cilindrar o Liverpool. Pressioná-lo, como quem, de pénis entumescido, pressiona as nádegas de uma colegial. Mas, como tantas vezes acontece na vida, a tesão afinal era de mijo, e jogadores como Aimar (coitado), Carlos Martins e Di Maria pouco mais estavam do que embalsamados.
Quanto à decisão de tirar o
David Luiz do centro da defesa, teria sido uma óptima ideia, tendo em conta ter-se um jogador muito melhor:
Sidnei (mas sem ritmo de jogo hoje). O problema foi terem-no posto à esquerda: ajudou o
Kuyt a ficar em jogo no segundo golo e no quarto deu-nos razão quando ao vê-lo jogar pensamos no
Steven Seagal versão ornitorrinco.
Nem um livre por uma falta não existente conseguiu renovar o ânimo de uma
equipa febril cujas investidas pareciam depender dos últimos esforços de um
Ramires a fuçar por ali adentro à espera do tropeção.
Júlio César não aguentou a pressão e diz que tinha a vista toldada - pediu para sair.
Pobre Jesus, não lhe faltava mais nada, e ele que ainda tinha de fazer entrar o... o...
Coentrão. Pois. Parece que se
David Luiz jogou à esquerda, estreando-se Sidnei ao centro, foi para poder ter um suplente minimamente em condições que pudesse substituir a dada altura os debilitados centro-campistas encarnados. Não se vislumbra outra razão.
Pois é, Francisco, em suma, fizeram-vos do esfíncter rosbife à inglesa, para usar o trocadilho que se prevê aparecer amanhã nas capas dos jornais. Resta-vos o campeonato, que ganharão sem grandes incidentes.