Paulo Sérgio é o novo treinador do Sporting. Depois de tantos espero-bem-que-não, depois de tantas esperanças depositadas em esta não ser mais do que uma outra notícia falsa dos jornais, a CMVM acaba com a especulação e anuncia aquele que é para muitos sportinguistas um desastre, um voltar atrás, ou no mínimo um ponto de interrogação pernicioso. Diz-se por todo o lado que desta vez é que não se vai comprar a gamebox.
A desilusão parece paradoxalmente imperar. Mas este sentimento não existe sem
um outro - a ilusão. E custa-me um pouco compreender que gente que mantém blogs com uma certa qualidade literária, uns mais que outros, pontuados por aqui e ali acutilância de conteúdos, ou seja, gente inteligente, poderá ainda ter ilusões em relação à actual direcção do Sporting.
O que suscita essa infindável esperança no nada seria um interessante objecto de análise sociológica. Dizem que os maiores dos cépticos chegam a acreditar em Deus quando à beira-morte. Neste caso, trata-se de um paciente enfermo que é tratado há meses com um comprimido de glucose. E, apesar de saber do que é feito o comprimido (portanto nem do efeito placebo se vale), continua por alguma razão acreditar que o seu médico o vai eventualmente curar.
Não há sorte que valha a um tipo como José Eduardo Bettencourt. Não se pode pensar que por fruto do acaso será contratado um treinador que se revelará excepcional (mesmo que relativamente desconhecido como o PS) e que consiga mudar a máquina tetraplégica que é o Sporting actual. As massas manifestaram-se no sentido de se despedir o Paulo Bento. Daqui a uns tempos a palhaçada repetir-se-á, porque não é possível ter-se sucesso seja com que treinador for nestes moldes.
PS: nem a propósito, escreveu-se isto agora mesmo.
